Diário dos Trinta

Diário de um trintão lisboeta.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Família

Há muitos limites ao que conseguimos fazer, dizer, pensar na nossa vida. A finitude deste plano terrestre assim o obriga.

Esta últimas semanas tives os meus pais doentes: a mãe com problemas de mobilidade, o pai com uma operação de urgência.

Não tenho uma família grande, mas mesmo que tivesse, julgo que não conseguiria deixar de sentir uma certa angústia por ver os meus pais, a minha piscina genética, em tal estado.

Sei que se diz que é natural para a ordem do mundo que os pais morram antes dos filhos, mas encarar assim a sua finitude é assustador. Como se ainda não estivessem resolvidos os pontos de uma infância estranha e cheia de interregações (não são todas assim?).

Amamos os nossos pais, mas talvez lhes devessemos mais amor do que aquele que damos. Agora olhando para a sua recuperação fico contente de ainda ter a oportunidade de gozar a sua companhia.

Mas quando tem de ser tem de ser. Mesmo que os amemos muito, mesmo sem nada por dizer, mesmo cheios de dúvidas, e até por vezes de ódios, quando chega a altura chegou.

Vou-lhes ligar ... e dizer o quanto gosto deles ... afinal são os meus pais.